Tupi or not tupi that is the question.
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“Que assim mal dividido esse mundo anda errado,
Que a terra é do homem, não é de deus nem do diabo”

Quinta-feira, Setembro 28, 2006
Eu se demito, mas publico.

Luiza namora Marcelo. Marcelo é locutor de rádio. Luiza e Marcelo brigaram na sexta-feira passada. Luiza é rancorosa como as mulheres são. Pensou, vendo o corpo nu de Marcelo, fracamente iluminado pelas frestas que entravam através da persiana, em cortar seu pau. Adulou-o. Vendo as cordas caídas da persiana, teve uma seqüência de idéias, as quais não saberei constituir a linha exata, que culminou no desejo de enforcar-lhe ou de atar-lhe as mãos grossas como são as de um homem.
Luiza, além de rancorosa -ou apesar disso-, vive num mundo de idéias. Até que elas irrompam, ganhando o mundo das ações, as coisas continuam na procedência habitual. Marcelo acordou e ela lhe beijou a boca, regenerada de paixões.
Levantaram os dois, foram à padaria tomar café. Marcelo precisou trabalhar.
Às oito horas, Luiza ligou o rádio. Ouviu a voz de Marcelo informando o tráfego. Luiza foi ao banheiro, encheu a pia d'água. Submergiu o radinho. A voz de Marcelo começou a falhar, bolhas de ar vinham à superfície.
Em seguida, Paulo noticiou a morte de Marcelo, locutor de rádio, vítima de afogamento.


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Sérgio Castro
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