Tupi or not tupi that is the question.
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“Que assim mal dividido esse mundo anda errado,
Que a terra é do homem, não é de deus nem do diabo”

Sábado, Março 18, 2006
Me acalmo, me desespero. Fora as palavras -perdi-as- agora também o veículo: estou sem computador.

Alguma causa, a dor de cabeça, certo cansaço que parece mandinga. Dizem as coisas estão quebrando em casa porque as pessoas são fortes. A raiva, o telefone, as ossadas ficaram enterradas. Ponhamos terra sobre os defundos, enquanto desenho com fogo imagens cansadas no escuro. Fluosforece. "Ao som do último blues na rádio cabeça".

A greve agrava. Hoje sonhei com gente bradando, Amor. E meus olhos ficaram apavorados. Eu tenho mais de vinte mundos.

São sons. Comecei ensaios estúpidos, na primeira era, as coisas eram idéias e nem espectro. Precisei sentar naquele degrau pra que tu me alcançastes. Não se cansas da minha revolta?

É tarde, preciso tomar o último ônibus e comprar café. Os bondes - perdi-os.


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Quinta-feira, Março 02, 2006
Dos trechos confessionários publicáveis

Porque foi mesmo isso que eu busquei nas pessoas que ousaram estar do meu lado. Jonas, por exemplo, que era capaz da poesia mais agressiva no papel e de ser
bruto, quebrar a mão batendo na parede, de raiva, e de mandar fazer capela com sabiá e flores brancas pra dizer que me amava - tudo li-te-ra-ri-a-men-te - ele é um deus miserável com sua voz de tinta. Mas não subia nas calçadas nem dançava na chuva e eu só acreditaria em um deus que soubesse dançar na chuva, contemporizando nit. Jonas não me permitiria conhecer o submundo, sequer apanhar garoa. Me protegendo de mim e eu preciso mesmo é da lama.

"Nem de um opus qualquer coisa de Shoenberg - comentou Ronald. - Mas então, por que me pediu? Além de inteligência, também lhe falta um pouco de caridade. Você já teve alguma vez os sapatos metidos na água à meia-noite? Jelly Roll já teve, com certeza. É uma coisa que se vê quando ele canta. É algo que se sabe logo, meu velho." Cortázar

Houve outros, com quem eu pude dançar uma seresta, uma valsa, um hard core. Houve os que colheram flor e os que (se) matariam, literalmente, tu sabes. Mas nunca desse jeito, não os dois ao mesmo tempo. Não esse sagrado e essa miséria ao mesmo tempo. Nunca o mundo-cão, nunca aquilo que chamei estética do fodido mãos dadas - mãos verdadeiramente dadas - com um Amor que me faria, sim - resisto às imagens de cunho demasiado romântico, mas, tu entendes - que me fariam lutar contra o rei e discutir com deus; que me fariam mover muitos mundos, apesar da inércia, dessa força caótica. E é isso, tu entendes? É a força absurda da inércia, o niilismo que nos levaria ao desejo de morte, esse pensar errado nos atravessando a tarde como a vida, no mesmo cálice, na mesma absoluta luz que nos invade, nessa pulsão de criar e discutir e nos beijarmos à beira do precipício.

Ela me provoca vontades de praticar minhas vergonhas mais obscuras na sua frente, as mortes que varro pra debaixo da pele, e apodrecem. Me dá ganas de levar tudo até as últimas conseqüências, pra que o grito nos traga ao pé da redenção, da expurgação - consumidas, consumadas. Tenho vontade de morrer santa, beatificada e talvez bêbada, mãos dadas com esta mulher.


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Porque tenho estado seca das palavras.

"Quantas palavras, quantas nomenclaturas para o mesmo desconcerto. Por vezes, chego a me convencer de que a estupidez se chama triângulo, de que oito por oito é a loucura ou um cachorro. Abraçado com a Maga, essa solidificação de nebulosa, penso que faz tanto sentido fazer um bonequinho com miolo de pão quanto escrever o romance que nunca escreverei ou defender com a vida as idéias que redimem os povos. O pêndulo cumpre o seu vaivém instantâneo e, de novo, volto a incluir-me nas categorias tranqüilizadoras: bonequinho insignificante, romance transcendente, morte heróica. Coloco-os em fila, do menor ao maior: bonequinho, romance, heroísmo. Penso nas hierarquias de valores, tão bem exploradas por Ortega, por Scheler: o estético, o ético, o religioso. O religioso, o estético, o ético. O ético, o religioso, o estético. O bonequinho, o romance. A morte, o bonequinho. A língua de Maga me faz cócegas. Rocamadour, a ética, o bonequinho, a Maga. A língua, a cócega, a ética".

(Cortázar, in "O Jogo da Amarelinha".)


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Sérgio Castro
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Palavras e Imagens

Fernanda-Irmã
Cotovelares
Misson, O Cara
Jordani Sou Eu
Castilho
Cat, A Mina
Leo Caobelli, O Iluminado
Phasmo, o Fantasminha
Ed, o Coelho Branco
Fernanda, a Imersa
Cris, o Furioso
Yane, O Monstro
Daniela, O Mito
Vitor, o Freire
Arara, a Teresa
Filipe, o Displicente
Coletivo

Tom e Vinicius - por Biagio Di Carlo
Lugares Bacanudos

Silvio Mieli
Na Orelha
O Dilúvio
Memória Viva
Vozes do Brasil
Mercado de Pulgas

... Flávio encara Marco, seu colega que fora acusado de furto no trabalho...