Tupi or not tupi that is the question.
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“Que assim mal dividido esse mundo anda errado,
Que a terra é do homem, não é de deus nem do diabo”

Quinta-feira, Novembro 24, 2005
Do Jogo de Cintura que Têm as Meninas do Telemarketing:

- American Express, bom dia.
- Bom dia.
- Por favor o senhor André Luiz?
- Ele faleceu.
- Tem algum outro número em que eu possa... Ah, ele faleceu?


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Quarta-feira, Novembro 23, 2005
"(...) penso no absurdo de escrever. De estar a escrever quando podia estar com os amigos, ir ao cinema, ir dançar que é uma coisa de que gosto... mas não, um tipo está ali e é um bocado esquizofrénico. (...) Há sempre uma parte subterrânea nas obras de arte impossível de explicar. Como no amor. Esse mistério é, talvez seja, a própria essência do acto criador. (...) Quando criamos é como se provocássemos uma espécie de loucura, quando nos fechamos sozinhos para escrever é como se nos tornássemos doentes. A nossa superfície de contacto com a realidade diminui, ali estamos encarcerados numa espécie de ovo... só que tem de haver uma parte racional em nós que ordene a desordem provocada. A escrita é um delírio organizado."

António Lobo Antunes


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Terça-feira, Novembro 22, 2005
Das doenças, essa que trago no bojo é o mais ordinários dos erros. O que traz a falência dos órgãos e do impulso vital. O que me sufoca os olhos.

Depois dos vinte anos, virá uma outra coisa, de nome indefinido e casca espessa. Depois da lira, ainda além, ali. Depois da luz, depois das miríades de imagens suicidas. Depois das meninas de tranças, depois de tudo entornado, de tudo escapado. Além, ali. Depois.


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Quinta-feira, Novembro 17, 2005
Eu tinha nomes na memória, cheiro, eu tinha gás, ao encontro da morte, do norte, uma noite eterna. Não sabia que esse gosto ficava na ponta dos dedos, esse gosto definitivo de alucinação, esse desejo de sobreviver, mesmo que depois se prenda nos meus olhos, procurando saída, ponte, código, labirinto onde Picasso se ataria ao minotauro, mesmo que depois se perca nos meus olhos esse acúmulo de desertos, uma sombra amarga, dessas que dessas que de repente se assume, entre um gole e outro de cerveja, quando ele me fita mais atento e diz: Você envelheceu quarenta e cinco anos desde a última vez que te olhei.

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Quarta-feira, Novembro 16, 2005
Porque ando já com saudades dos meus, esses já nem fostos. Os meus vinte anos pesadíssimos e estacionados. Parece trânsito às seis da tarde na Rebouças com acidente de moto lá no fim. Não anda, manja? Não sai do lugar. Ando procurando caminho alternativo, desses que nem o moço do helicóptero conseguiu enxergar.

Mormaço agarrado às paredes e quando durmo, sonho sonhos de libertação.
Eu consigo atravessar a piscina de um fôlego só, porque apesar dos cigarros, da vódega, das noites e dieta precária, eu tenho vinte anos. Esses que me escorrem, nebulosos. Corredor de hospital, os punhos cerrados, esses fantasmas que me habitam como fotos gastas.

É coisa de fim de ano, sabe? Olhar pra trás e bater esse desgosto, essa sensação de água parada.

Se eu abandonasse a casca, vejo os dedos assustados dela sobre a minha testa, e dizendo Ela era tão nova.

E apesar do sufoco, da náusea, do leão por dia que tem se feito mais forte, afiando as unhas no meu descuido, que venha um tal dizer que é merda esta vida. Eu bato na mesa. E ainda tenho sonhos, de libertação.


A Vida - Paulo Hecker Filho

Agora mesmo me lembrei de mim
aos vinte anos.
O rosto apaixonado,
não mal configurado,
eu escolhia
umas até se antecipavam.
E na manhã seguinte
no chuveiro
nascera pra viver e para sempre.
Podia com prazer
voltar ao tempo
no papo com os poetas no café.
Já almoçava com o que estava lendo,
não parava de ler nem para comer.
De noite, o bar, enredos,
as franquezas,
retorno pelas duas da manhã
com muita caipirinha de algum Deus.
Queria amar algo maior na vida,
custei a perceber que era apenas a vida.
A vida.
Estou lembrando de mim aos vinte anos.


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Quinta-feira, Novembro 10, 2005
A Quem Interessar Possa

Meu querido Vidal me convidou pra participar do Bagatelas. Tô lá eu, quem quiser me visitar: www.bagatelas.net/vertebral.htm


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Sim, eu vi: eu tava lá. Me encontrei com o passado, que imaginei estático, era eu e os olhos dele, graúdos e antiqüíssimos. Imaginei encontrar a sombra do pesadelo, mas já não éramos. Nem eu, a menina colérica, cerrando os punhos "Hoje eu mataria uma besta, quebraria a guia de um santo", nem o passado, espectro da minha alucinação: já não tínhamos a mesma carne devastada pela doença.

Era eu, Sol posto - sabe barulho de frigideira quando encontra água fria? Era eu, Sol se pondo gritando de dor, explodindo num rio sórdido.

Os cinco dragões me apontavam uma lua mansa. Ali, consegues? Encontra a tua vista as nuvens carregadas?

Era eu.

Descanso.

Mas "aprendi com a primavera; a deixar-me cortar e voltar sempre inteira".

Aprende a rodar com o mundo, criança. Mas a noite - eu inventei - não é tempo do sono profundo: ali eu tive o homem que enfrentou epopéia, o próprio lodo, que agarrou a vida com as patas cansadas. Mas a vida disse: eu vou. Abandono teu corpo ferido das guerras pra virar uma outra coisa. Abandona teu corpo e segue.

Foi alçar vôo: eu vôo.


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Sérgio Castro
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Palavras e Imagens

Fernanda-Irmã
Cotovelares
Misson, O Cara
Jordani Sou Eu
Castilho
Cat, A Mina
Leo Caobelli, O Iluminado
Phasmo, o Fantasminha
Ed, o Coelho Branco
Fernanda, a Imersa
Cris, o Furioso
Yane, O Monstro
Daniela, O Mito
Vitor, o Freire
Arara, a Teresa
Filipe, o Displicente
Coletivo

Tom e Vinicius - por Biagio Di Carlo
Lugares Bacanudos

Silvio Mieli
Na Orelha
O Dilúvio
Memória Viva
Vozes do Brasil
Mercado de Pulgas

... Flávio encara Marco, seu colega que fora acusado de furto no trabalho...