Para Michel Melamed É por isso que eu escrevo, é por isso que eu esc(r)avo, que eu estrago, é por isso que eu redijo, que eu redigo, me redimo, me reduzo. É por isso que eu sou isso, é por isso que eu só isso. É por isso que eu desuso, que eu deserto, só lamento, solavanco, é por isso que eu só levanto da cama o corpo depois de morto, depois do soco, do soro, depois do touro. É por isso que eu estouro, que eu instauro, eu transatlântico, eu transo oceânico, eu indolente, eu penitente, eu inauguro, eu acho escuro, pulo o muro. Eu estrago, escravo, escrevo. É por isso... é por isso que eu escrevo. postado por Maroca 18:58 Fala que eu te escuto: . . .
Encontrei no movelzinho onde ficam guardadas as roupas de cama e banho dos meus pais um livro de uma das escritoras preferidas de mamãe, Rosamunde Pilcher. As quatorze primeiras páginas me remeteram como que instantaneamente ao mundo dela, sabonetes em forma de rosa, toalhas bordadas, roupas asseadas e beleza estéril, estática. De repente, penso em mamãe como na personagem principal de uma peça chamada Longa Jornada Noite Adentro. Uma mulher pertencente a um mundo que não pode mais sustentar. Ela me pareceu anacrônica, distante das origens, trilhando por um caminho onde estas rosas murcharam, embora tenham sido inventadas outras. Um dia, ela me disse que eu deveria fazer Letras, porque "ser poeta era a profissão mais bonita que ela podia imaginar". Mamãe romântica, ao mesmo passo que tão mundana, tão ingressada nessa rotina da-corrida-pro-consultório-do-consultório-pra-farmaco-da-farmaco-pro-cabelereiro e tantas - e últimas - vezes, do-cabelereiro-pro-hospital. Ela que inspira qualquer feminilidade doce, quase submissa, com ranços que preferiria ofuscar, com lembranças que, pudesse, não optaria em trazer, se revela fibra e aço, se desvela em esperança, essa herança que eu trago, que eu nego, que eu amo. postado por Maroca 03:44 Fala que eu te escuto: . . .
OBJETOS PERDIDOS por Julio Cortázar, Mendoza - Argentina, 1944 Por veredas de sueño y habitaciones sordas tus rendidos veranos me acechan con sus cantos Una cifra vigilante y sigilosa va por los arrabales llamándome y llamándome pero qué falta, dime, en la tarjeta diminuta Dónde están tu nombre y tu calle y tu desvelo si la cifra se mezcla con las letras del sueño si solamente estás donde ya no te busco Si solamente estás donde ya no te busco... postado por Maroca 04:54 Fala que eu te escuto: . . .
Um dia eu caso com esse homem... Eduardo Galeano. Eu dou um passo, ela dá dois passos. Eu dou dois passos, ela dá quatro passos. Eu dou quatro passos, ela dá oito passos. Para isso serve a utopia, para eu seguir caminhando. postado por Maroca 03:12 Fala que eu te escuto: . . .
Casa comigo e roupa lavada. postado por Maroca 14:38 Fala que eu te escuto: . . .