Um Dia de Eternidade (Como são lindos os nossos dias) O leito que me dá esta puta que me arde e entranha, estranha Felicidade, dizem, é sagrado segredo. Me queima na pele esse gosto caduco.Me apunhala cabelos e seios repletos de ardência. O teto é abstrato e me diz algo de poema escrito com nudez de riso. "Poesia eu não te escrevo Eu te vivo E viva nós!" , nos diz Cacaso. E não faço senão viver. A tinta da sua pena me inferniza a paz que era triste, sua alegria me cambaleia por dentro - o meu passo tombado - DESABO. A nossa dança, Amor, a nossa queda. E salto. Vôo. O nosso brilho de vidro, o nosso medo de chumbo, as nossas lágrimas e pétalas. E jardim. Os nossos sonhos agora concretos e palpáveis. Tão palpáveis. E sonhos. Te trinco a madrugada exausta e me vem com promessas que perco por precisão. A dança louca, ainda bruta, por não haver sido composta nem mesmo por delírio de poeta apaixonado ou sentida em alguma madrugada por amantes e suas fundas intesidades. (Teus olhos inquietos maremotam minhas águas) (Teu riso de pássaro e solitário sinal que faz dos teus lábios multidão, bagunçam os versos do poema que ainda não compus.) Às claras teu verso se abriga sem métrica na minha boca e recitamo-nos sem saciedade ou explicação. A platéia - ah, a platéia! - chora, chora... depois ri subitamente, de uma alegria funda, distraída. (Minha Eva, minha erva. Me leva me levvv...) Venteia no meu peito. Teus olhos poema inteiro no meu olhar. Sem trégua, sem treva, sem disfarce. Sem farsa. Despido da própria nudez. Que vida que vivo neste mundo. Depois da eternidade: Que vida que vivi naquele mundo. postado por Maroca 11:27 Fala que eu te escuto: . . .